O aumento dos casos envolvendo cerol em Rio Preto levou o Corpo de Bombeiros a reforçar o alerta sobre os riscos do uso de linhas cortantes durante o período de férias escolares. A orientação foi divulgada após dois acidentes graves registrados na região: um motociclista ficou gravemente ferido no bairro Fraternidade, em São José do Rio Preto, e um professor morreu após ser atingido por uma linha com cerol em Santa Adélia.
Segundo o 13º Grupamento de Bombeiros, o uso de cerol e da chamada linha chilena continua sendo uma das principais causas de acidentes graves envolvendo motociclistas, ciclistas e pedestres.
Cerol em Rio Preto preocupa Bombeiros durante férias escolares
De acordo com o Corpo de Bombeiros, empinar pipa é uma atividade tradicional durante os meses de férias e de ventos mais intensos. No entanto, o uso de linhas cortantes transforma a brincadeira em um risco para toda a população.
O cerol é produzido pela mistura de cola com vidro moído ou limalha de ferro aplicada na linha da pipa para cortar outras linhas. Já a linha chilena é fabricada com quartzo moído e óxido de alumínio, apresentando um poder de corte ainda maior.
Os bombeiros alertam que os acidentes aumentam principalmente nos meses de julho, agosto, setembro, dezembro e janeiro.
Quais são os principais riscos da linha chilena e do cerol?
Segundo os bombeiros, a pequena espessura da linha, aliada ao material abrasivo utilizado, faz com que o contato provoque cortes profundos em poucos segundos.
As principais vítimas são:
- Motociclistas;
- Ciclistas;
- Pedestres;
- Skatistas;
- Praticantes de esportes ao ar livre.
As lesões podem variar desde cortes superficiais até amputações e rompimento de artérias e veias, com risco de hemorragias fatais.
Outro perigo ocorre quando a linha fica presa na rede elétrica, aumentando o risco de choques e danos ao sistema de distribuição de energia.
Bombeiros orientam como evitar acidentes
Para reduzir os riscos, o Corpo de Bombeiros orienta que as pipas sejam empinadas apenas em locais abertos, como parques e campos, sempre longe da rede elétrica e de vias com circulação de veículos.
Também é recomendado:
- Nunca utilizar cerol ou linha chilena;
- Não empinar pipas durante chuva;
- Não subir em telhados ou lajes para recuperar pipas;
- Não correr atrás de pipas soltas em ruas e avenidas;
- Abandonar a pipa caso ela fique presa em cabos de energia.
Para motociclistas, a recomendação é instalar a antena corta-pipa, equipamento que ajuda a romper a linha antes que ela atinja o condutor. Os bombeiros também orientam manter o farol aceso durante o dia e redobrar a atenção em locais onde há pessoas soltando pipas.
Casos recentes reforçam o alerta
No último fim de semana, um motociclista sofreu um corte profundo no pescoço após ser atingido por uma linha de pipa no bairro Fraternidade, em Rio Preto. A vítima recebeu 35 pontos e sobreviveu ao acidente.
Após o caso, moradores voltaram a cobrar maior fiscalização sobre o uso de linhas cortantes na cidade.
Segundo a Guarda Civil Municipal (GCM), somente em 2025 foram apreendidos 269 carretéis com cerol ou linha chilena. Entre janeiro e junho deste ano, outras 77 apreensões foram realizadas.
O alerta também ganhou repercussão após a morte do professor Fábio José Colombo, de 49 anos, em Santa Adélia. Ele pilotava uma motocicleta por uma estrada vicinal quando foi atingido por uma linha com cerol no pescoço e morreu ainda no local. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio.
Uso de cerol é proibido em São Paulo
Desde 2019, a legislação paulista proíbe a fabricação, comercialização, posse e utilização de cerol e de qualquer outro tipo de linha cortante, incluindo a linha chilena.
Mesmo com a proibição, os acidentes continuam sendo registrados todos os anos, principalmente durante as férias escolares, quando aumenta o número de pessoas empinando pipas.









