O episódio envolvendo duas adolescentes dentro da Escola Estadual Professor Antônio de Barros Serra, em São José do Rio Preto, voltou a colocar em discussão a segurança e a prevenção da violência no ambiente escolar.
Na manhã de segunda-feira (10), uma estudante de 15 anos foi ferida com golpes de faca dentro de uma sala de aula. Outra aluna, de 17 anos, foi apontada como autora da agressão e encaminhada à delegacia. A vítima foi socorrida pelo Samu e levada ao Hospital de Base.
O caso chama atenção não apenas pela gravidade da agressão, mas por ter ocorrido justamente em um espaço que deveria oferecer segurança para estudantes, professores e funcionários. E levanta uma pergunta que vai além dessa ocorrência: o que está sendo feito para identificar conflitos antes que eles cheguem a episódios de violência?
Na rede estadual paulista, uma das principais ferramentas é o Conviva SP, programa da Secretaria da Educação criado para atuar nas áreas de convivência, segurança, proteção, saúde e apoio psicossocial. O programa prevê ações de prevenção, mediação de conflitos, formação dos profissionais e articulação com a rede de proteção.
As escolas também contam com a Plataforma Conviva, utilizada oficialmente para registrar e acompanhar situações relacionadas à convivência escolar. Os registros permitem que ocorrências sejam acompanhadas pelas unidades escolares, diretorias regionais e pela própria Secretaria da Educação.
Há ainda protocolos específicos de segurança. O chamado Protocolo 179 estabelece procedimentos para situações de risco e proteção à vida, enquanto a Secretaria mantém iniciativas de formação de servidores para prevenção de incidentes, mediação de conflitos, controle de acesso e atuação diante de situações consideradas de risco.
A rede estadual também utiliza videomonitoramento como medida preventiva de segurança. Segundo informações oficiais do Conviva SP, a estrutura é empregada nas unidades escolares e diretorias de ensino como parte das ações de proteção.
Mas a existência de programas e protocolos não elimina o debate sobre sua efetividade na rotina das escolas.
Casos como o registrado em Rio Preto colocam em discussão se professores, gestores e demais profissionais conseguem identificar sinais de conflitos graves com antecedência; se existe acompanhamento psicológico e social suficiente; como ocorre a participação das famílias; e se os protocolos existentes estão funcionando de maneira adequada na prática.
Também é necessário evitar soluções simplistas. Violência escolar envolve segurança, mas também prevenção, convivência, saúde emocional, mediação de conflitos, participação familiar e capacidade de resposta rápida quando surge uma situação de risco.
O episódio agora será apurado pelas autoridades. Paralelamente, fica uma questão importante para toda a comunidade escolar: além de agir depois que uma agressão acontece, como impedir que o conflito chegue a esse ponto?
Acompanhe as principais notícias de Rio Preto e região no RP24H.










