Um dos prédios mais conhecidos de São José do Rio Preto pode ganhar proteção oficial. O edifício central do Ibilce/Unesp, de inspiração neoclássica e originalmente projetado para abrigar um Seminário Diocesano, entrou em processo de estudo para avaliar um possível tombamento como patrimônio histórico e cultural do município.
A iniciativa parte de uma discussão antiga dentro da comunidade acadêmica. Agora, uma empresa especializada foi contratada para produzir o dossiê técnico que poderá embasar uma futura decisão sobre o tombamento. O trabalho inclui análise das plantas, levantamento fotográfico detalhado das áreas internas e externas e avaliação do valor arquitetônico, artístico, histórico e cultural da construção.
Segundo informações divulgadas pelo Diário da Região, o estudo foi contratado por R$ 18 mil e deverá ser concluído até o final do ano. A contratação ocorreu por dispensa de licitação, pelo critério de menor preço.
A possibilidade de tombamento coloca a Unesp ao lado de outros símbolos arquitetônicos e culturais que ajudam a contar a história de Rio Preto.
A própria Prefeitura mantém um inventário de patrimônios da cidade que inclui locais como o Mercado Municipal, a Estação Ferroviária e o Museu Ferroviário, a Estação de Engenheiro Schmitt, o Palácio das Águas e o antigo prédio do Tiro de Guerra, que atualmente abriga o Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva.
O antigo Tiro de Guerra foi tombado em 2004 e está entre os primeiros bens materiais protegidos oficialmente pelo município. Além do prédio, o próprio acervo do Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva, composto por dezenas de obras do artista, também recebeu proteção como patrimônio cultural em 2021.
Outro símbolo importante é o Complexo Swift, antiga fábrica construída a partir da década de 1930 e tombada pelo Condephaat em 2008 como patrimônio histórico do Estado de São Paulo. Já o Mercadão, inaugurado em 1944 e marcado pela influência Art Déco, possui tombamento municipal desde 2004.
Também integram a história preservada da cidade a Estação Ferroviária de Rio Preto, inaugurada em 1912; o Palácio das Águas, inaugurado em 1955; a antiga Estação de Engenheiro Schmitt; o prédio do Lar para Idosos de Engenheiro Schmitt; além do túmulo do engenheiro Ugolino Ugolini e outros bens materiais e imateriais.
O tombamento não significa transformar um imóvel em museu nem impedir completamente seu uso. A proteção busca preservar características consideradas relevantes para a memória coletiva e estabelece regras para reformas, intervenções e alterações que possam comprometer os elementos protegidos. Em Rio Preto, o Comdephact é o conselho municipal responsável pela identificação, proteção e conservação desse patrimônio cultural.
No caso do Ibilce, ainda não existe decisão pelo tombamento. O que está em andamento é justamente o estudo técnico destinado a apontar se o edifício reúne os requisitos históricos, arquitetônicos e culturais necessários para que a proposta avance.
Se confirmada a proteção, o prédio da Unesp poderá passar a integrar oficialmente um conjunto de construções que atravessou diferentes períodos do desenvolvimento de Rio Preto — da chegada da ferrovia e expansão do comércio até a consolidação da cidade como polo regional de educação e cultura.
A discussão também deixa uma pergunta para uma cidade que cresce rapidamente: como modernizar Rio Preto sem apagar os prédios e espaços que contam sua própria história?
📸 Imagens: Reprodução/Arquivo
Acompanhe as principais notícias de Rio Preto e região no RP24H.









