Empresa pediu mediação no Cejusc de Rio Preto para negociar com credores e tentar evitar, por enquanto, uma recuperação judicial
A dívida de R$ 3,7 bilhões do Grupo Itajobi será discutida em um procedimento de mediação empresarial no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania, o Cejusc, de São José do Rio Preto.
O grupo, responsável pelas usinas Itajobi, Carolo e Rio Pardo, busca negociar o passivo diretamente com os credores antes de um eventual pedido de recuperação judicial.
O valor informado é de aproximadamente R$ 3,76 bilhões. O procedimento foi apresentado como uma tentativa de encontrar uma solução consensual para as obrigações financeiras e preservar as atividades das empresas.
As usinas também foram mencionadas nas investigações da Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e infiltração do crime organizado no mercado de combustíveis.
Não existe, até o momento, condenação definitiva contra o Grupo Itajobi ou seus representantes relacionada às suspeitas investigadas.
Dívida de R$ 3,7 bilhões do Grupo Itajobi será mediada
O pedido foi apresentado ao Cejusc de Rio Preto por meio do mecanismo conhecido como mediação antecedente.
Esse procedimento permite que empresas e credores tentem construir um acordo antes da abertura de uma recuperação judicial.
A mediação pode envolver renegociação de prazos, valores, garantias e condições para o pagamento das dívidas. Um eventual acordo dependerá da aceitação dos credores e da análise das condições financeiras apresentadas pelo grupo.
Além da mediação, foi apresentada uma medida cautelar relacionada ao processo de reestruturação do passivo.
Grupo controla três usinas
O Grupo Itajobi controla as usinas Itajobi, Carolo e Rio Pardo, ligadas à produção de açúcar, etanol e outros produtos do setor sucroenergético.
Segundo informações divulgadas sobre o processo, parte significativa do passivo teria origem em dificuldades financeiras e processos anteriores de recuperação judicial, principalmente envolvendo a Usina Carolo.
A defesa afirma que a negociação busca preservar aproximadamente 3 mil empregos mantidos pelas unidades do grupo.
As operações estão distribuídas por municípios como Marapoama, Pontal, Morro Agudo, Cerqueira César e Avaré.
Objetivo é evitar recuperação judicial
A abertura de uma recuperação judicial não está descartada, mas a empresa pretende, inicialmente, negociar a dívida de R$ 3,7 bilhões do Grupo Itajobi fora desse procedimento.
A recuperação judicial é utilizada por empresas que enfrentam dificuldades para pagar suas obrigações, mas ainda possuem condições de continuar funcionando.
Nesse tipo de processo, a empresa apresenta um plano aos credores, que pode prever parcelamentos, descontos, venda de ativos ou outras formas de reorganização financeira.
A mediação representa uma tentativa de alcançar um acordo com menos impacto sobre as atividades das usinas.
Usinas foram citadas na Operação Carbono Oculto
As usinas Itajobi, Carolo e Rio Pardo foram mencionadas na Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025.
A operação investiga um esquema de fraudes, sonegação tributária e lavagem de dinheiro envolvendo empresas do setor de combustíveis, fintechs e fundos de investimento. Segundo o Ministério Público, a estrutura investigada teria sido utilizada para movimentar recursos ligados ao crime organizado.
A Usina Itajobi também esteve entre os endereços atingidos por mandados de busca e apreensão durante as investigações.
Essas informações representam acusações e linhas de investigação das autoridades. Elas não significam que as empresas ou seus representantes tenham sido definitivamente condenados.
Investigação cita empresário Mohamad Hussein Mourad
Segundo as autoridades, as usinas teriam sido utilizadas durante a expansão dos negócios atribuídos ao empresário Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”.
A investigação afirma que ele teria se apresentado publicamente com outro nome e como sócio-proprietário da Usina Itajobi. Para os investigadores, essa conduta poderia ter sido utilizada para esconder sua identidade e sua relação com as empresas.
Mourad é apontado pelas autoridades como um dos principais investigados da Operação Carbono Oculto.
A defesa do empresário nega qualquer vínculo dele com o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e afirma que as acusações ainda não foram comprovadas judicialmente.
MP investiga movimentações financeiras
Entre os pontos analisados pela investigação estão movimentações financeiras envolvendo fundos de investimento e instituições de pagamento.
A apuração também examina uma suposta estrutura formada por empresas que teriam sido utilizadas para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas operações financeiras e societárias.
Um dos fundos citados nas investigações é o Radford Fundo de Investimento. A operação também apura a atuação de fintechs suspeitas de funcionar como estruturas paralelas para a movimentação de recursos.
As autoridades ainda investigam se operações envolvendo compra e venda de etanol, cana-de-açúcar e outros insumos foram utilizadas para gerar créditos tributários indevidos.
Defesa diz que usinas continuam funcionando
O advogado das usinas sustenta que as empresas foram citadas em uma etapa inicial da investigação e que não existe decisão judicial impedindo o funcionamento das unidades.
Segundo a defesa, também não há sentença condenatória relacionada às suspeitas da Operação Carbono Oculto.
As usinas continuam operando enquanto buscam uma solução para o passivo financeiro.
O andamento da mediação dependerá das negociações com bancos, fornecedores, proprietários de terras e demais credores.
Negociação deverá definir futuro do grupo
A negociação da dívida de R$ 3,7 bilhões do Grupo Itajobi deverá definir se as empresas conseguirão reorganizar seus pagamentos sem recorrer imediatamente à recuperação judicial.
Caso não exista acordo, o grupo poderá buscar outras medidas previstas na legislação empresarial.
As investigações da Operação Carbono Oculto também continuam em andamento e poderão apresentar novos desdobramentos.
Até o momento, não há condenação definitiva envolvendo o Grupo Itajobi, as usinas ou seus representantes pelos fatos investigados.










